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Nos últimos dias do ano, milhões de pessoas em todo o mundo deixam-se levar pelo entusiasmo de um novo ano recheado de oportunidades inexploradas, e perspetivam o futuro. Nesse momento tudo se torna possível e definem as suas novas metas e objetivos do ano, designadas geralmente por “Resoluções de Ano Novo”.
A esperança e a motivação estão em alta, e o ano tem tudo para correr bem.

Passado meio ano, quando chega o momento de avaliar o progresso, acontece uma de duas coisas:

  1. Enches-te de orgulho pelo que já alcançaste; ou
  2. Deixas-te invadir pela consternação de ver “mais uma lista de objetivos não alcançados”.

Isto é o que acontece à maioria das pessoas e, provavelmente, poderás estar a passar pelo mesmo. Por isso, neste artigo vou ajudar-te a avaliar o teu progresso, a adaptar as estratégias que definiste e a avançar para a concretização dos teus objetivos. Ainda vais a tempo e nada está perdido!

1. Cria ou atualiza a tua lista de objetivos

Ter uma lista de objetivos é um bom sinal. Isso significa que dedicaste algum tempo a fazê-la, e isso é muito bom. No entanto, essa deve ser uma lista de objetivos e não apenas de intenções.

Um objetivo tem de ter, no mínimo, três características: ser específico, mensurável e relevante. Para simplificar, precisa de responder às questões: “O quê”, “Porquê”, “Como” e “Quando”. Vejamos o exemplo de um objetivo bem definido de uma pessoa que deseja ter uma prática de exercício físico regular:

  • O quê? – Fazer exercício físico de forma regular;
  • Porquê? – Para reduzir os níveis de stress e ter maior bem-estar físico e mental;
  • Como e quando? – Duas corridas ao ar livre de 30 minutos, três vezes por semana. E três sessões de ginásio, de pelo menos 30 minutos cada, por semana.

Ao partilhares o teu objetivo com alguém, essa pessoa deve saber exatamente o que queres. Além disso, ela deve conseguir avaliar se estás mais perto ou longe de o alcançar. Por fim, importa que essa pessoa consiga compreender o que te motiva, isto é, o que faz com que o teu objetivo tenha um significado especial para ti. Segue estes princípios enquanto crias a tua lista inicial. Toda a reflexão que promoveres aqui será muito útil mais tarde.

2. Define as tuas prioridades

Agora, é importante ordenares os objetivos de acordo com as tuas prioridades. Para o fazeres, existem dois fatores a considerar para cada um:

  1. Importância – obenefício que trará à tua vida; e
  2. Urgência – oprazoque tens para o concretizar.

A importância de um objetivo, ainda que seja subjetiva, pode ser “medida” pelo benefício esperado. Uma vez criada a tua lista inicial de objetivos, identifica o benefício associado a cada um deles. Depois, atribui-lhe um valor de 1 a 10. Quanto mais alto for o valor, maior e melhor será o benefício na tua vida.

A urgência do objetivo é um pouco mais objetiva. Define um prazo em dias, semanas ou meses para a concretização do teu objetivo. Estas datas podem depender apenas de ti ou de fatores externos que estão fora do teu controlo. Em todo o caso, define datas realistas e desafiantes. Quanto mais perto estiveres dessa data, mais alto é o nível de urgência.

Mas atenção, ainda não é o momento de celebrar, porque uma lista é só isso… uma lista. Se queres realmente fazer algum tipo de progresso, cria um plano. Essa é a estratégia determinante das pessoas que conseguem alcançar grandes resultados. Se não tiveres um plano, como poderás criar tempo e foco nos teus objetivos? Como poderás avaliar o teu progresso?

3. Celebra todas as pequenas conquistas

De todos os objetivos que já conseguiste concretizar tenta lembrar-te de um que tenha sido importante para ti. Como é que te sentiste nesse momento? Como descreverias o momento em que o alcançaste? Que memórias tens desse momento?

Sempre que fazes algum tipo de progresso ou concretizas um objetivo é fundamental celebrar e reconhecer o mérito à pessoa responsável por essa conquista: Tu!

Um aspeto comum que muitos objetivos partilham é a sua longevidade no tempo. O prémio final está longe de ser atingido. Até o alcançares terás que passar por momentos bons e maus, nos quais irás conhecer os teus limites. Nesta jornada, a tentação de desistir vai surgir nos momentos mais críticos. São as pequenas vitórias, os momentos de superação, que te farão continuar a avançar. Por isso é que é muito importante celebrá-las.

Havendo múltiplas formas de celebrar, o que costumo sugerir é construir um Mapa de Conquistas. Um quadro ou uma folha que vais personalizar com uma recordação de todos os momentos em que concretizaste um objetivo que tenhas definido ou que te foi proposto. Pode ser com uma foto, um texto ou um desenho. O importante é que te faça reviver as tuas maiores conquistas, com todas as experiências, aprendizagens e emoções. O Mapa de Conquistas é também uma ótima forma de te recordar de que tu és capaz de tudo, sobretudo nos momentos em que as dúvidas surgirem.

4. Aprende com as tuas falhas

Falhar é uma parte inevitável do progresso. Nenhum grande feito da história aconteceu sem que antes alguém tivesse falhado algumas vezes. Mas atenção, mais do que aceitar a falha como algo natural, o essencial é compreender que há sempre algo de novo e/ou positivo a aprender com a falha. Ninguém consegue falhar para sempre se, no processo, procurar aprender algo todos os dias.

Perante uma falha, ou algo que não corre bem, há dois erros cognitivos que podem emergir: a generalização e o foco no negativo. Estes erros são naturais porque estamos biologicamente preparados para tirar conclusões com poucos dados e para estar em “estado de alerta” para tudo o que possa prejudicar a nossa sobrevivência. Ainda assim, existem formas para conseguires superar esses lapsos cognitivos.

Quando generalizamos o processo é ignorado e o que conta é o resultado final. A lógica é que, se falhaste naquela situação, vais falhar noutras situações similares. No pior dos cenários, esta crença limitadora deixa de pertencer a uma situação isolada e toma conta da tua vida. Para reverter isto há que ter objetividade e olhar para cada situação de forma individual. Assim vais perceber o que correu mal, conseguir gerar soluções alternativas e tirar aprendizagens que serão valiosas no futuro.

O foco no negativo é igualmente desafiante. Os nossos mecanismos de sobrevivência estão intimamente ligados aos circuitos emocionais e mnésicos pelo que é fácil sobreporem-se à razão. É por isso que deixas de conseguir ver o lado positivo das coisas. Porque, inconscientemente, os indicadores negativos são mais relevantes.

Neste caso, a lógica a adotar é fazer o inverso. Olha para todo o processo e encontra tudo o que fizeste bem. Por pior que seja o resultado há sempre alguma coisa que fizeste bem. Sempre. Com a prática vais conseguir ter uma perspetiva mais positiva que será útil para gerar resultados positivos.

A partir de agora falhar só será mau se tu permitires. Não digo que será possível resolver todas as situações. O que digo, e acredito, é que ao desenvolveres uma perspetiva mais objetiva e positiva das tuas falhas vais conseguir aumentar as tuas probabilidades de sucesso e, com isso, gerar melhores resultados de forma consistente.

5. Adapta-te e avança

Nem sempre tudo corre de acordo com o planeado. Há sempre um imprevisto ou alguma coisa que corre mal. É natural que a frustração e a desilusão venham ao de cima nestes momentos. A vontade de encontrar culpados e atribuir responsabilidades surge e é aí que convém lembrar duas premissas fundamentais. A primeira é que tens sempre uma dose de responsabilidade em tudo o que te acontece. A segunda é que um problema só pode ser resolvido num estado mental diferente daquele que o criou. Aqui a adaptação é a palavra-chave para que o teu progresso seja real.

Numa primeira fase importa identificar, para cada objetivo ativo, as dificuldades que queres superar. Estas dificuldades ou, como eu prefiro chamar, desafios podem ser de origem externa (p. ex. chover no primeiro dia de férias) ou interna (p. ex. sentires ansiedade na apresentação anual da empresa).

O teu nível de controlo sobre os desafios externos será sempre menor do que sobre os desafios internos. Embora tenhas pouca margem para controlar ou influenciar o que te rodeia, terás sempre total capacidade para controlar o que tu fazes. Este é o primeiro princípio da adaptação.

Estando identificados os desafios, há que desenvolver um plano para lidar com eles. Para isso, há algumas perguntas que podem ser muito úteis:

  • Como resolveste situações semelhantes?
  • Que recursos tens que te podem ser úteis agora?
  • Que opções tens para superar os desafios atuais?

Para cada dificuldade ou obstáculo, sejam eles externos (p. ex. recursos financeiros, logísticos, infraestruturas) ou internos (p. ex. capacidades, competências, formas de sentir, pensar e fazer) existe sempre uma forma de os resolver. Começa por identificar todas as opções que te pareçam válidas. Nesta fase há que dar espaço à criatividade. Depois identifica os pontos a favor e contra cada uma delas. Procura ser objetivo e usa, da melhor forma, a tua capacidade analítica. Por fim, utiliza o Princípio de Pareto segundo o qual 80% dos teus resultados provêm de 20% das tuas ações, para selecionar as opções com mais probabilidade de surtir efeito e, depois, coloca-as em prática. 

Estas ações devem ser encadeadas, ou seja, têm que fazer parte de uma sequência lógica, como se fossem degraus de uma escada. Só assim garantes que, perante qualquer desafio, vais manter o progresso em direção ao teu objetivo. Permite-me, por fim, uma palavra de cautela. Nem todas as tuas ações terão o resultado que pretendes, por isso este processo de reflexão – definição – ação deve estar sempre ativo!

6. Partilha os teus objetivos com alguém especial

Sabias que o simples ato de partilhar um objetivo pode aumentar até 30% a probabilidade dele se concretizar? A partilha de um objetivo com uma pessoa relevante na tua vida cria um compromisso com o outro. Ao fazê-lo estás a ligar a concretização do teu objetivo à necessidade inata de pertencer ao grupo.

Neste cenário, falhar significa um afastamento social. Por outro lado, se concretizares o teu objetivo o grupo irá olhar para ti com apreço. A tua posição sairá reforçada e o sentimento de pertença também. Por isso é que as pessoas que alcançam objetivos de forma consistente têm posições de maior influência nos grupos em que circulam.

Nesta fase, mais do que dar conhecimento do que te propões a fazer, o importante é partilhares a jornada. A pessoa que te vai acompanhar será uma fonte de apoio e de inspiração. Será quem te vai incentivar nos momentos difíceis e celebrar contigo cada uma das tuas pequenas conquistas. Dito isto, convém partilhares as tuas motivações, receios e necessidades.

Disponibiliza-te também para ajudar essa pessoa a alcançar um objetivo seu. Assim, em vez de um objetivo, estarás a lutar por dois. No lugar da superação individual estará a inspiração coletiva. E esse é um ótimo objetivo!

Agora sim estás a recuperar toda a energia que tinhas quando pensaste pela primeira vez no que irias, e vais, alcançar este ano. Agora só falta avançar já hoje. Sim, hoje! Não é amanhã, não é daqui a uma semana, é hoje! Mas só se quiseres muito. Só se for muito importante para ti. Eu acredito que é, e tu?